Conselho debate Educação Indígena em comemoração ao Dia do Índio

A Sessão Plenária do Conselho Estadual de Educação (CEE), desta quinta-feira, 19 de abril, Dia do Índio, ocorreu na Escola Estadual Pedro Poti, na Aldeia São Francisco, no município de Baía de Traição, no Litoral Norte. Durante a sessão, presidida pela representante dos Potiguaras no CEE, professora Miriam Gomes do Nascimento, foi debatido o tema “Educação Indígena na Paraíba: desafios e perspectivas” e contou com palestras das professoras Nilda Faustino, Maria Sonia Barbalho e da gestora da escola, Sueli Vieira, além do presidente da Organização de Professores Indígenas Potiguaras (OPIP), Pedro Lobo.

As professoras Nilda Faustino e Sonia Barbalho enfatizaram que a educação indígena se realiza a partir de três grandes fontes: a família indígena, que educa os filhos a partir dos valores e princípios fundamentais; a comunidade indígena, que ensina e proporciona conhecimentos culturais, de valores, cosmogonias e sentimento de coletividade e pela própria natureza. “Todos são também considerados professores e professoras da vida. A Educação Escolar Indígena deve, portanto, cuidar desta realidade e trabalhar na interface dessa Cultura e modo de vida”.

O professor Pedro Lobo e a diretora Sueli Vieira destacaram os avanços significativos do Plano Estadual de Educação da Paraíba (2015-2025) em particular na criação da categoria de Escola Indígena. “Notamos e reconhecemos os avanços, muito significativos”, ponderou a diretora.

O professor Pedro Lobo ressaltou como é ímpar para o Estado da Paraíba e para o Povo Potiguara que os indígenas tenham um assento cativo no Conselho Estadual de Educação. “Trata-se de um reconhecimento e uma representação de um povo, do povo Potiguara”, disse.

O presidente do CEE, Carlos Enrique Ruiz Ferreira, agradeceu a hospitalidade e ressaltou: “se esta é hoje a casa do Conselho de Educação, queremos registrar que o Conselho é a casa permanente dos povos indígenas, pois não se pensa educação sem se pensar diversidade. E os conhecimentos e saberes indígenas são fontes inesgotáveis para toda a Educação”. O presidente do CEE disse também que o Brasil seria outro se a educação e as instituições aprendessem mais com os povos indígenas e afrodescendentes.

De acordo com o professor Carlos Enrique, a Organização das Nações Unidas lançou recentemente a Agenda 2030 do Desenvolvimento Sustentável, mas é preciso que se diga que esse conceito, essa filosofia de sustentabilidade é criada e praticada há séculos pelos povos indígenas. “Hoje se fala muito, no âmbito da educação, da inteligência emocional; mas quando vamos incorporar com mais afinco, em nossas grades curriculares, em nossas metodologias de ensino, em nossos livros didáticos, os saberes ancestrais que tanto podem nos ensinar e nos tirar de uma série de crises, moral, cultural, ambiental, que enfrentamos?” indagou o presidente.

O vice presidente do CEE, Américo Falcone, falou em nome dos demais conselheiros, destacando que se tratou de “um momento ímpar da história do Conselho Estadual de Educação”. A presidente da sessão, conselheira Miriam Gomes, encerrou os trabalhos, falando sobre a defesa do meio ambiente e dos direitos do povo indígena: “Tudo que fere a terra fere também os filhos da terra. O índio é filho da terra. A terra é nossa vida e nossa liberdade”, concluiu.

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